O INÍCIO
Dia 17 de outubro de 1847: Rosa Maria Lima, mestiça pobre e solteira, dá à luz uma menina. Teme que a criança não seja reconhecida pelo pai, José Basílio Neves Gonzaga, à época primeiro-tenente. De fato, a família do tenente não aceita seu envolvimento com Rosa, mas, contrariando os temores da moça, ele a assume como esposa — bem como a paternidade da menina. Numa homenagem a São Francisco e Santa Edwiges, a criança recebe o nome Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais tarde e para sempre conhecida como Chiquinha Gonzaga.
Apesar dos parentes de alta posição social – o mais ilustre é Duque de Caxias –, o pai de Chiquinha não dispõe de grandes condições financeiras. Ela, porém é criada como uma criança de família burguesa e educada conforme os padrões sociais vigentes. Com um professor particular toma aulas de escrita, leitura, cálculo, catecismo e idiomas, além de receber uma boa educação musical. Meninas como Chiquinha aprendem música invariavelmente ao piano, que se tornara a coqueluche da época, símbolo de status social. O instrumento foi importado para o Brasil, junto com o numeroso repertório da época a ele dedicado, como sinal de “civilização”.
Chiquinha demonstra gosto especial pelas aulas de música e, aos 11 anos, compõe sua primeira peça. É uma canção para a festa de Natal da família, com letra de seu irmão Juca, de nove anos. Além das aulas, Chiquinha tem contato com a música por meio de seu tio e padrinho Antônio Eliseu, flautista amador.
Nessa época o Rio de Janeiro vive a febre da polca, introduzida no Brasil em 1845. A polca torna-se uma das danças mais populares do Rio na segunda metade do século XIX. Introduzida nos salões de elite, mais tarde chegará até as casas populares, tornando-se um sucesso absoluto
Afora a inclinação musical, Chiquinha tem uma vida rotineira. As histórias de família revelam que era moça “trigueira e danada”, que “namorava até padre”. Tinha um gênio forte e decidido, o que às vezes lhe causava atritos com o pai, nada, porém que não fosse resolvido em âmbito familiar. Como era de costume, seus pais logo tratam de arranjar-lhe um bom casamento e, em 1863, aos dezesseis anos, Chiquinha casa-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, jovem rico de vinte e quatro anos.
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