quinta-feira, 25 de agosto de 2011


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"ABRE ALAS QUE EU QUERO PASSAR..."
 
A carreira já repleta de sucessos ganha brilho especial em 1899, quando Chiquinha compõe aquela que é hoje sua canção mais conhecida: a marcha-rancho Ó Abre Alas, feita para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro. A maestrina morava no bairro do Andaraí, o mesmo em que se sediava o cordão. Ao ouvir um dos ensaios, tem a inspiração para a música. Chiquinha a compõe de forma despretensiosa, nem sequer se preocupando em editar a marchinha, que considera uma composição menor. Mas o fato é que a canção cai nas graças do povo e é hoje um clássico da música popular brasileira. Além disso, tem um papel histórico: é considerada a primeira marcha feita para o carnaval. Na verdade, o que Chiquinha fez foi dar forma às cançonetas improvisadas que os foliões entoavam durante o carnaval. “Era comum se utilizarem de uma marcha, com versos pedindo para abrir alas e apresentando o nome do cordão”, afirma sua biógrafa Edinha Diniz. A música será por muitos anos a mais cantados nos carnavais, antecipando um gênero – a canção carnavalesca – que só se fixará vinte anos depois. 
 


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MAESTRINA E COMPOSITORA ACLAMADA
Chiquinha produz intensamente. Além de tocar com os chorões, dar aulas e editar composições passa a musicar peças para o teatro de revista. A primeira experiência, em 1883, é Viagem ao Parnaso, de Arthur Azevedo, que acaba por não ser apresentada, pois o empresário recusa-se a montar um espetáculo musicado e conduzido por uma mulher. Chiquinha não desanima e, finalmente, inicia sua carreira de maestrina em 17 de janeiro de 1885, com a revista A Corte na Roça, de Palhares Ribeiro. É uma opereta de um ato cujo enredo trata dos costumes do interior do país. A peça e o desempenho dos atores não agradam à crítica, mas a música de Chiquinha recebe elogios entusiásticos. “Verdadeiro primor de graça, elegância e frescura – uma composição dessa ordem faria a reputação de um compositor em qualquer país que se apresentasse”, afirma um artigo. E havia espanto em outras manifestações: “Uma peça posta em música por uma mulher!”. Em pouco tempo, Chiquinha torna-se a compositora mais requisitada para esse tipo de trabalho. Chega a ser chamada de “Offenbach de saias”, numa alusão ao francês Jacques Offenbach, criador da opereta – que no Brasil ganha o formato de teatro de revista.






abandoná-lo e à pequena filha Alice. Mais uma vez foge com João Gualberto.

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O PRIMEIRO SUCESSO DA COMPOSITORA CHIQUINHA

Aos 29 anos a compositora Chiquinha Gonzaga alcança seu primeiro sucesso com a polca Atraente. Diz-se que foi composta num animado “choro” na casa do maestro Henrique Alves de Mesquita. Um êxito estrondoso: publicada em fevereiro de 1877, em novembro chega à décima - quinta edição. Para a família, porém, o sucesso incomoda demais. José Basílio, o pai de Chiquinha, considera humilhante ver o nome Gonzaga gritado pelas ruas e ligado a uma música “chula” e “indecente”. Muitas partituras são danificadas por familiares enraivecidos.

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ALÉM DE MULHER, "PIANEIRA" E "CHORONA"


Para sustentar-se, começa a dar aulas particulares de piano. Ao mesmo tempo, aproxima-se dos músicos cariocas, principalmente de um famoso flautista, Joaquim Antônio da Silva Callado. Levada por ele, Chiquinha começa a freqüentar o ambiente musical boêmio da época. Callado, além de instrumentista, é compositor conhecido e respeitado, professor do Imperial Conservatório de Música. Os dois se tornam grandes amigos, e a ela o compositor dedica sua primeira partitura editada, a polca Querida por Todos, em 1869. Mas a definitiva introdução de Chiquinha Gonzaga no meio musical carioca será adiada por conta de um caso amoroso
O jovem João Batista de Carvalho Jr. é um alegre e galanteador engenheiro. Chiquinha conhece-o há tempos, pois ele era amigo da família Gonzaga e costumava freqüentar a casa de seu ex-marido. Ao passar a viver com ele, Chiquinha desperta na sociedade a suspeita de que aquela fosse uma relação antiga. Ela enfrenta a hostilidade da cidade, onde todos sabem que abandonara o marido. Surge a oportunidade de se afastar daquele burburinho quando João Batista recebe uma proposta de trabalho na Serra da Mantiqueira. Chiquinha e João Gualberto o acompanham. Eles passam dois anos viajando, mas, quando retornam ao Rio, em 1875, ainda enfrentam rejeição. O casal resiste e, no ano seguinte, vem uma filha, Alice Maria. Chiquinha e João Batista decidem afastar-se da cidade novamente, mas a mudança de ambiente não melhora a situação, e Chiquinha ainda suspeita da infidelidade do marido. Com tudo isso, decide abandoná-lo e à pequena filha Alice. Mais uma vez foge com João Gualberto.

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O INÍCIO
Dia 17 de outubro de 1847: Rosa Maria Lima, mestiça pobre e solteira, dá à luz uma menina. Teme que a criança não seja reconhecida pelo pai, José Basílio Neves Gonzaga, à época primeiro-tenente. De fato, a família do tenente não aceita seu envolvimento com Rosa, mas, contrariando os temores da moça, ele a assume como esposa — bem como a paternidade da menina. Numa homenagem a São Francisco e Santa Edwiges, a criança recebe o nome Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais tarde e para sempre conhecida como Chiquinha Gonzaga.
Apesar dos parentes de alta posição social – o mais ilustre é Duque de Caxias –, o pai de Chiquinha não dispõe de grandes condições financeiras. Ela, porém é criada como uma criança de família burguesa e educada conforme os padrões sociais vigentes. Com um professor particular toma aulas de escrita, leitura, cálculo, catecismo e idiomas, além de receber uma boa educação musical. Meninas como Chiquinha aprendem música invariavelmente ao piano, que se tornara a coqueluche da época, símbolo de status social. O instrumento foi importado para o Brasil, junto com o numeroso repertório da época a ele dedicado, como sinal de “civilização”.

Chiquinha demonstra gosto especial pelas aulas de música e, aos 11 anos, compõe sua primeira peça. É uma canção para a festa de Natal da família, com letra de seu irmão Juca, de nove anos. Além das aulas, Chiquinha tem contato com a música por meio de seu tio e padrinho Antônio Eliseu, flautista amador.
Nessa época o Rio de Janeiro vive a febre da polca, introduzida no Brasil em 1845. A polca torna-se uma das danças mais populares do Rio na segunda metade do século XIX. Introduzida nos salões de elite, mais tarde chegará até as casas populares, tornando-se um sucesso absoluto
Afora a inclinação musical, Chiquinha tem uma vida rotineira. As histórias de família revelam que era moça “trigueira e danada”, que “namorava até padre”. Tinha um gênio forte e decidido, o que às vezes lhe causava atritos com o pai, nada, porém que não fosse resolvido em âmbito familiar. Como era de costume, seus pais logo tratam de arranjar-lhe um bom casamento e, em 1863, aos dezesseis anos, Chiquinha casa-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, jovem rico de vinte e quatro anos.

Chiquinha Gonzaga


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CHIQUINHA GONZAGA
Compositora e maestrina brasileira: 1847-1935
QUANDO TUDO ACONTECEU...
1847: Chiquinha Gonzaga nasce a 17 de outubro no Rio de Janeiro. - 1863: Casa-se com Jacinto Ribeiro do Amaral no dia 5 de novembro. - 1864: Nasce o primeiro filho do casal, João Gualberto, no dia 12 de julho. - 1866: Chiquinha e João Gualberto acompanham Jacinto no navio São Paulo durante a guerra do Paraguai. - 1867/8: Abandona o marido Jacinto e os filhos Maria e Hilário. - 1877: Em fevereiro edita sua primeira composição, Atraente. - 1880: Morre, em março, seu amigo Callado. - 1885: Estréia a 17 de janeiro a primeira peça musicada pela maestrina, A Corte na Roça. - 1888: Abolição da escravatura. - 1889: Proclamação da República; compõe a primeira marcha carnavalesca, Ó Abre Alas; conhece João Batista. - 1902: Vai pela primeira vez à Europa, acompanhada por João Batista. - 1912: Estréia o grande sucesso Forrobodó. -1914: Escândalo do tango Corta-Jaca no Palácio do Catete. - 1917: Participa na fundação da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT). - 1935: Morre em 28 de fevereiro, no Rio de Janeiro.